Química. Sempre foi a minha melhor matéria na escola, aquela em que eu tinha boas notas, aquela que eu ensinava, fazia atividades e com prazer. Gosto tanto de compostos aromáticos e fórmulas centesimais, que pretendo trabalhar com elas pelo resto da vida, e como farmacêutica, suponho que eu terei que entender um pouco da química de cada detalhe da vida, dos plásticos, dos perfumes, do corpo, do amor.
Tive meus relacionamentos, isso é certo. Alguns bem sucedidos, alguns mal, alguns finais felizes, outros nem tanto, mas o que nunca consegui entender foi a química envolvida. Como saber onde começa a paixão e onde ela termina? Como saber se o que sentimos pelo outro é amor ou apenas os hormônios falando? E mais importante de tudo, o que fazer quando não temos a certeza de que o que sentimos é forte o bastente para sobreviver ao fim da descarga de adrenalina e endorfinas que inundam nosso corpo no início de cada relação?
Um caso marcante (e recorrente) uma vez disse que não acreditava que eu pudesse ser de uma pessoa só por muito tempo, e hoje, findo o caso e esvaida a paixão, vejo que talvez seja verdade. Pessoas são como mosaicos, e cada uma é movida a um tipo diferente de combustivel, e o meu é a novidade. Minhas moléculas parecem ter alguma reação adversa à mesmice, incontrolável e sem antídoto conhecido. Parece que minha voltade de estar com o outro corre por minhas veias e vai sendo eliminada aos poucos junto com todas as macromoléculas que faziam os defeitos invisíveis, as virtudes infinitas e a atração incontrolável.
Não me leve a mal, não é que eu seja uma megera sem coração que usa indivíduos apenas para sua satisfação física, muito pelo contrário, posso jurar que já senti amor, eque foi real enquanto durou, mas aparentemente, meu amor vem com prazo de validade definido, e já que não dura para sempre, só me resta vive-lo enquanto ainda posso.
Apesar disso, não perco a esperança de um dia encontrar um remédio para esta deficiência emocional, ou quem sabe até consertar permanentemente a química da minha paixão, descobrir o composto que a transforme em amor, e encontrar uma solução tampão que o proteja indefinidamente do ácido da mesmice, afinal de contas, somos apenas compostos carbônicos recheados de solidão, sempre a procura do radical que nos complete.
