terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

- Muito além de Marta Reis

Química. Sempre foi a minha melhor matéria na escola, aquela em que eu tinha boas notas, aquela que eu ensinava, fazia atividades e com prazer. Gosto tanto de compostos aromáticos e fórmulas centesimais, que pretendo trabalhar com elas pelo resto da vida, e como farmacêutica, suponho que eu terei que entender um pouco da química de cada detalhe da vida, dos plásticos, dos perfumes, do corpo, do amor.

T
ive meus relacionamentos, isso é certo. Alguns bem sucedidos, alguns mal, alguns finais felizes, outros nem tanto, mas o que nunca consegui entender foi a química envolvida. Como saber onde começa a paixão e onde ela termina? Como saber se o que sentimos pelo outro é amor ou apenas os hormônios falando? E mais importante de tudo, o que fazer quando não temos a certeza de que o que sentimos é forte o bastente para sobreviver ao fim da descarga de adrenalina e endorfinas que inundam nosso corpo no início de cada relação?


Um caso marcante (e recorrente) uma vez disse que não acreditava que eu pudesse ser de uma pessoa só por muito tempo, e hoje, findo o caso e esvaida a paixão, vejo que talvez seja verdade. Pessoas são como mosaicos, e cada uma é movida a um tipo diferente de combustivel, e o meu é a novidade. Minhas moléculas parecem ter alguma reação adversa à mesmice, incontrolável e sem antídoto conhecido. Parece que minha voltade de estar com o outro corre por minhas veias e vai sendo eliminada aos poucos junto com todas as macromoléculas que faziam os defeitos invisíveis, as virtudes infinitas e a atração incontrolável.

Não me leve a mal, não é que eu seja uma megera sem coração que usa indivíduos apenas para sua satisfação física, muito pelo contrário, posso jurar que já senti amor, eque foi real enquanto durou, mas aparentemente, meu amor vem com prazo de validade definido, e já que não dura para sempre, só me resta vive-lo enquanto ainda posso.

Apesar disso, não perco a esperança de um dia encontrar um remédio para esta deficiência emocional, ou quem sabe até consertar permanentemente a química da minha paixão, descobrir o composto que a transforme em amor, e encontrar uma solução tampão que o proteja indefinidamente do ácido da mesmice, afinal de contas, somos apenas compostos carbônicos recheados de solidão, sempre a procura do radical que nos complete.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007


Só mais um ano com vocês. Está chegando a hora de mudar.

Está chegando a hora de não se ver mais todo dia, de não perder mais aquelas canetas, de não copiar mais aquelas atividades que nós nunca faziamos.
Está chegando a hora de não sair mais de sala, de não cochichar aquilo que era tão importante, nada mais de rir alto no meio da aula.
Chega sem avisar, a hora de perder as pequenas coisas com que já nos acostumamos, as pequenas distrações do dia-a-dia que nos fazem tão nossas, tão únicas.
Chega enfim a hora de crescer, a hora de tomar um rumo, a hora de aprender a dar valor (por que tão tarde?) a aquilo que negligenciamos por tanto tempo.
Resta saber o que vai ficar. Se serão as saudades passivas do eterno "Como era bom..." ou a convivência casual, que até um tempo atrás nos era tão irreal...
Não me agrada nada dizer, mas está chegando a hora de se afastar.
Ah como a vida seria fácil se não existisse esse maldito vestibular...

M.F

Quanto mais ando, mais vejo que seria egoísmo meu te querer do meu lado pra sempre
Te ter aqui pra me segurar sempre que eu cair, tentando ignorar o fato de que tudo é passageiro.
Será mesmo possível guardar tanto querer no meu peito? Ou será que a vida com suas curvas vai me fazer esquecer das nuances do seu rosto, esquecer aquele seu cheiro de domingo?
Me preocupa essa inconstância da memória e eu tenho medo. Medo de saber que por mais que eu tente te gravar pra sempre não posso.
Medo por que sei que posso acordar um dia e no seu lugar, lembrar apenas de um vazio, de sensações e impressões, te perdendo cada vez mais físicamente.
Só o que me consola é saber que sempre te terei no papel, nos livros que me emprestou, nos exercícios de concordância que tanto me cobrava, e acima de tudo te terei no acumulo de palimpsestos da minha vida.
Te terei pra sempre naquele quarto na parte de cima da casa, e no seu eterno fanatismo pelo campinense.

domingo, 18 de novembro de 2007

primeiro ano.

e aqueles olhos me diziam
o que eu nunca ia saber
mais uma noite, só cortesia
de quem eu nunca iria ter.

ELE

Passamos anos e anos de escola estudando gramática, sendo corrigidos e aperfeiçoando o nosso português, mas se você quer saber a verdade, nem um pós doutorado poderia fazer com que alguém tivesse conhecimento total sobre o verdadeiro significado das palavras. Por exemplo, não se aprende em escola nenhuma o que o pronome pessoal Ele é para uma mulher. Se você está lendo esta cronica e é um homem, pare aqui mesmo. Você jamais entenderia o contexto geral do ele, nem tampouco o prazer de escutar o termo em uma conversa sussurrada (seja para você ou não), aquela conversa que você capta se retocando nos banheiros da vida... -Mas me disse que era solteiro! Como eu ia adivinhar Que ele era o namorado da fulana?- Nossa, isso é melhor que chocolate!
Mas nem só de eles sussurrados se faz a gramática feminina, há toda uma variedade que vai desde o apaixonado, grande causador de inveja (Ai que lindas as flores que ele me deu!), até o desiludido (Ele disse que ia me amar pra sempre...) podendo apresentar variações como o "traição" (Aqele filho da ****!) entra outras. Mas o que realmente torna o ele uma categoria é o fato que não importa de tipo seja, se sai dos lábios de uma mulher, todas as cabeças femininas do lugar vão parar o que estiverem fazendo nem que seja só por um segundo para avaliar a informação.
Pode até parecer que aqui está se fazendo uma caricatura preconceituosa mulher,o que não é justo, porque sem hipocrisia, todas nós sabemos que por mais feministas que sejamos, é sempre um ele, nosso ou alheio que nos vira a cabeça.

Guerra Fria

Era a terceira aula, a turma esperava o professor de geografia na sala. Sem uma minuto de atraso ele chega e manda a turma se dividir em grupos de 4.
Que felicidade! O barulho das carteiras sobrepunham os gritos de "MAS SEM ARRASTAR!" do mestre tentando organizar a bagunça. Estavam feitos os grupos. Meninas falavas de meninos, meninos falavam de qualquer coisa que não fosse o assunto da aula e aos sem grupo restava começar a atividade ou tentar escutar a conversa alheia. Em uma dos grupos, o que estava na frente do quadro, quatro meninas resolveram parar de conversar e resolveras questões.
-1. Quais são as principais diferenças entre o Capitalismo e o Comunismo/Socialismo? -Respondida a questão uma das quatro, a menor e mais metida de todas fez um comentário: -Eu não entendo como uma pessoa pode acha que o comunismo ia dar certo.- no mesmo instante outra chamada Júlia respondeu: -Como assim achar que ia dar certo?
-Achar que iria dar certo uma sistema repressor que anula a individualidade.
-Inibe a individualidade? Que eu saiba um sistema que promove a igualdade entre as classes não inibe nada, só traz coisas boas!
-Coisa boas? Júlia, pense bem, vivendo em um país onde o governo te dá tudo e te dá na mesma quantidade de todos os outros você perde a vontade de crescer no seu trabalho e intelectualmente, você vira só mais um e o desenvolvimento criativo se perde.
-Carol minha filha, agora imagine você, num país sem classes os mais pobres iriam ter mais oportunidade e se criaria uma massa produtiva maior, você não acredita é na igualdade, sua... sua capitalista!
-Ah! Sua utópica!
Podia se ver nos olhos das duas garotas que a briga ia acabar se tornando física quando uma das outras duas do grupo saiu da sua inércia e disse uma frase que iria ser motivo de arrependimento... :-Minha gente, não briguem, vocês não sabem que bom mesmo são os Estados Unidos?- Então como se fosse mágica capitalista e comunista se transformaram em uma só massa anti- americana , e a coitada que queria só apartar a briga acabou sendo esmagada: (agora as duas falavam juntas, uma completando a idéia da outra) -Como você pode dizer isso? -Você por acaso assiste jornal? Não vê os iraquianos inocêntes morrendo por uma causa puramente pessoal? Não vê que o petróleo está indo diretamente para as refinarias dos Bush?
-Você devia ter vergonha do que disse imperialista sem consciência!
A esta altura, imperialista e sem opinião já se encolhiam em suas carteiras com medo de serem atingidas por uma opinião no meio da testa, quando a aula acaba.
O sinal tocando é como uma balde d'água na atmosfera, e de repente todas as correntes políticas, petróleo e iraquianos evaporam para dar lugar a um: -Mas e aí, ELE te disse se ia sair sábado?