segunda-feira, 19 de novembro de 2007

M.F

Quanto mais ando, mais vejo que seria egoísmo meu te querer do meu lado pra sempre
Te ter aqui pra me segurar sempre que eu cair, tentando ignorar o fato de que tudo é passageiro.
Será mesmo possível guardar tanto querer no meu peito? Ou será que a vida com suas curvas vai me fazer esquecer das nuances do seu rosto, esquecer aquele seu cheiro de domingo?
Me preocupa essa inconstância da memória e eu tenho medo. Medo de saber que por mais que eu tente te gravar pra sempre não posso.
Medo por que sei que posso acordar um dia e no seu lugar, lembrar apenas de um vazio, de sensações e impressões, te perdendo cada vez mais físicamente.
Só o que me consola é saber que sempre te terei no papel, nos livros que me emprestou, nos exercícios de concordância que tanto me cobrava, e acima de tudo te terei no acumulo de palimpsestos da minha vida.
Te terei pra sempre naquele quarto na parte de cima da casa, e no seu eterno fanatismo pelo campinense.

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