Quanto mais ando, mais vejo que seria egoísmo meu te querer do meu lado pra sempre
Te ter aqui pra me segurar sempre que eu cair, tentando ignorar o fato de que tudo é passageiro.
Será mesmo possível guardar tanto querer no meu peito? Ou será que a vida com suas curvas vai me fazer esquecer das nuances do seu rosto, esquecer aquele seu cheiro de domingo?
Me preocupa essa inconstância da memória e eu tenho medo. Medo de saber que por mais que eu tente te gravar pra sempre não posso.
Medo por que sei que posso acordar um dia e no seu lugar, lembrar apenas de um vazio, de sensações e impressões, te perdendo cada vez mais físicamente.
Só o que me consola é saber que sempre te terei no papel, nos livros que me emprestou, nos exercícios de concordância que tanto me cobrava, e acima de tudo te terei no acumulo de palimpsestos da minha vida.
Te terei pra sempre naquele quarto na parte de cima da casa, e no seu eterno fanatismo pelo campinense.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
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